Cruce de Los Andes – Capitulo 3
Posted: February 26th, 2009 | Author: Alessandro Dreyer | Filed under: Cruce de Los Andes, Provas, Relatos | Tags: Cruce, Cruce de Los Andes, Maratona | 3 Comments »depois de toda preparação, aquecimento e HGT ok, larguei às quatro da manhã para encarar os 42 km 195 metros de muita subida no meio dos Andes. A temperatura era de 8º – nada muito frio para quem já se preparou para a maratona de Porto Alegre na beira do Guaíba -, pouco vento e céu totalmente aberto. A luz durante a prova seria só da lua cheia (a prova é programada para acontecer sempre na lua cheia), já que qualquer tipo de luz artificial era proibido pela organização.
Último teste de glicose antes da largada para os 42 km da 4ª etapa do Cruce de Los Andes
Larguei só com manguitos para me proteger do frio, mas deixei com a organização luva e agasalho para me entregarem no km 20, que de acordo com minha previsão seria perto das seis da manhã, quando o dia estivesse amanhecendo. Sei que é estranho, e pra mim na hora que me disseram também foi, mas de acordo com o pessoal que vivia na região o nascer do sol faria a temperatura cair absurdamente.
A largada foi a 1530 metros de altitude, nada que causasse qualquer efeito colateral – aqueles que os jogadores de futebol adoram “criar” em jogos na altitude -, minha única preocupação na hora era em relação à alimentação que não foi das melhores na véspera da prova, incluindo o café da manhã (ou da madrugada) pré-prova que foi apenas duas barras de cereal com gatorade. Outra preocupação era a escuridão da madrugada.
Os primeiros quilômetros de corrida seriam no asfalto com algumas pedras na pista que caíam das montanhas e quase nenhum tráfego de carros. Logo no início dos sete atletas que largaram (duas mulheres e cinco homens), quatro dispararam na frente, seguidos de perto por uma atleta argentina, um pouco atrás dela estava eu e depois de mim o último homem e a última mulher. Estes que dispararam na frente estavam em um ritmo próximo do que normalmente faço uma maratona, mas fui pra lá com a idéia de fazer uma prova bem tranquila para evitar sustos já que seriam quarenta e dois quilômetros só de subida, então segurei a vontade de perseguir eles e segui no meu ritmo.
Mais ou menos dois quilômetros depois da largada, no meio da primeira subida, já ultrapassei um daqueles que largaram no pelotão da frente. Já a atleta argentina estava uns 10 metros na minha frente, resolvi então que ficaria naquele ritmo acompanhando ela, deixando os três que seguiam em ritmo forte dispararem. Fechei os primeiros 5 km com 31 minutos, tempo dentro da minha previsão e que me faria fechar a prova em menos de 4h e 30min que era o objetivo quando comecei a treinar.
Perto do km 7 acabou o asfalto, começou o “chão batido” e comecei a sentir o que seria a prova, estava sozinho no meio dos Andes só com a luz da lua e cuidando pra não torcer o tornozelo nas pedras. Cruzei o km 10 com pouco mais de uma hora, tudo dentro do previsto. Ali os carros da organização já começavam a passar pela gente com o farol alto, isto não era muito bom já que as pupilas estavam dilatadas para melhorar a visão durante a noite, daí vinham os carros, jogavam luz nos olhos e consequentemente fechavam as pupilas, assim era esperar elas dilatarem novamente para enxergar “normalmente”.
Pouco depois do km 10, já com os “nervos” estabilizados, comecei a curtir a prova. A vista era linda, os Andes sob a luz da lua é difícil de explicar, mas me emocionava só de estar ali e ver tudo aquilo. Lembre
Postado por Alessandro Dreyer, Porto Alegre
Tá pior que o Lost essa narrativa! Cada esclarecimento traz consigo mais suspense…
Como diria o mestre Galvão Bueno, “haja coração”!
Ainda bem que a gente sabe que no final deu tudo certo, mas que sofrimento.
nestas horas se misturam o coração de mãe saltitando de preucupação misturado com um enorme orgulho do filho q tem…existe uma palavra explique tudo isso com clareza? Não, com certeza não …pois é grandioso demais para explicar. Certo é q Deus esta com vc sempre .. bjo filhão . OBRIGADO POR SER MEU FILHO